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Mostrando postagens com marcador Costumes Bíblicos. Mostrar todas as postagens
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9.10.10

Série Costumes Bíblicos - O Assoalho

Na maioria das casas, o assoalho era de cerâmica ou de terra batida; em algumas utilizava-se barro endurecido ou argamassa. As pessoas mais ricas às vezes faziam pisos de pedra calcária, que era mais fácil manter e limpar.

Era muito importante que a base do terreno onde se construía fosse firme e estável (Mt 7.24-27). Naquelas regiões, havia sempre a ameaça de fortes terremotos, bem como de tempestades súbitas, pesadas, que causavam erosões nas bases. Se ao construir a casa o proprietário fosse descuidado e a edificasse num terreno instável como areia, por exemplo, as consequências poderiam ser desastrosas. Sempre que possível, faziam fundações profundas, em busca de uma camada de argila dura ou de rocha. As casas mais antigas que se deterioravam com o tempo iam sendo derrubadas, para se construírem outras. Mas em muitos casos utilizavam-se os mesmos alicerces da casa demolida.

No próximo post de "Costumes Bíblicos": As janelas

23.8.10

Série Costumes Bíblicos - A Porta

As portas de entrada das casas, naquela época, eram diferentes variando muito de uma casa para outra, assim como acontece hoje. Em sua maior parte, as portas eram pequenas e estreitas. Em vez de dobradiças, elas eram presas a um encaixe de pedra, onde giravam com facilidade. É possível que na zona rural as portas fossem deixadas constantemente abertas. O homem da cidade, porém, já era um pouco mais cauteloso. Para os hebreus, a porta tinha uma importância espiritual muito grande. A soleira era de pedra, e considerada sagrada. Durante a Páscoa, passava-se sangue nela, para relembrar a ocasião em que tinham sido milagrosamente libertos do cativeiro no Egito, em decorrência das dez pragas. Afixado na ombreira das portas havia o mezuzá, que consistia de um tubo de metal ou de uma caixinha de madeira, dentro do qual era guardado um pergaminho contendo o texto de Deuteronômio 6.4-9, o Shema, ou credo: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas." Hoje em dia ainda há escribas que fazem esses pergaminhos seguindo instruções especiais para isso. O pergaminho era enrolado de forma a que, colocado no estojo, o termo hebraico que significa "Todo-Poderoso" ficasse à vista, através de um orifício que havia na caixa.

Muitas vezes, quando um israelita saía ou entrava em casa, beijava os próprios dedos, e em seguida tocava a mezuzá. Esse cartucho na porta tinha vários propósitos: era um testemunho de fé para os vizinhos, um sinal de que o morador cria na proteção de Deus, e um lembrete da história do povo de Israel.

Geralmente eles não trancavam as portas, mas poderiam fazê-lo, se assim o desejassem, e para isso utilizavam imensas chaves de madeira. E embora as chaves fossem bem grandes, alguns costumavam carregá-las penduradas no pescoço. Outra forma de trancar a porta era passar uma barra de madeira por dentro.

No próximo post de "Costumes Bíblicos": O assoalho



10.4.10

Série Costumes Bíblicos - Telhados Planos (Parte III)

Nessa festa, milhares de pessoas convergiam para Jerusalém. Esses forasteiros construíam cabanas toscas nas ruas, nas praças, em qualquer espaço vazio. É possível que quando Pedro disse a Jesus, no monte da Transfiguração, que poderiam construir ali tendas para Moisés, Elias e Jesus, ele estivesse se referindo a este tipo de cabana (Mt 17.4).

Em alguns lugares, as casas eram ligadas umas às outras, como casas de parede-meia. E os telhados, unidos uns aos outros, formavam uma verdadeira passarela. Os rabis chamavam a isso "rua de telhados", e muitas vezes o povo a utilizava mesmo como uma via de trânsito.

Jesus disse que quem estiver no telhado, no dia do juízo, não deverá descer para pegar nada em casa (Mt 24.17). Provavelmente, estava querendo ensinar que não se deve perder tempo em descer para pegar os pertences.

Embora o conhecimento da técnica de encanamento seja tão antigo quanto à fundação das primeiras cidades, só na época de Cristo é que estavam tomando providências para instalar vasos sanitários. Os romanos de um modo geral tinham banheiros com água encanada. Em alguns lugares, a partir de uma certa época, já se faziam fossas, esgoto encanado ou valas de areia. Naqueles tempos também já se utilizavam canos de cerâmica semelhantes às nossas manilhas. No primeiro século, as pessoas mais ricas faziam banheiros completos em casa. Em algumas havia até banheiras, e outras tinham sistemas de aquecimento de água.

No próximo post de "Costumes Bíblicos": A porta

29.3.10

Série Costumes Bíblicos - Telhados Planos (Parte II)

Sendo o telhado plano, prático e de fácil acesso, era utilizado de diversas maneiras. Certa vez Pedro foi orar no telhado (At 10.9); e muitos outros já fizeram o mesmo. Era dali que se faziam as comunicações especiais, enunciadas em alta voz, e ouvidas em todo o bairro (Mt 10.27; Lc 12.3). Era tão comum haver atividades nos telhados que a lei mosaica dispunha que se construíssem nele parapeitos (Dt 22.8), que geralmente eram gradeamentos de madeira.

Naquele tempo, era muito raro haver construções de dois pavimentos, embora fosse bastante comum fazerem-se pequenos cômodos no telhado, desde varandinhas até quartos para hóspedes. Esse cômodo, chamado de alliyah, às vezes seria como casa de veraneio ou aposento de oração, como vemos em Mateus 6.6, ali Jesus diz a seus seguidores que, ao orar, eles deveriam entrar no "quarto", em vez de exibir sua religiosidade em público.

Foi num desses aposentos que ele se reuniu com seus discípulos para celebrar a páscoa (Lc 22.12); nesse caso, era um cenáculo mobiliado, espaçoso, que provavelmente pertencia a um de seus discípulos mais abastados. E após a ascensão de Cristo, cento e vinte deles se reuniram em um aposento semelhante (At 1.13). Ao que parece, diversos dos seguidores de Jesus eram pessoas de posses.

Esses quartinhos tinham ainda outras utilizações. Por ocasião da festa dos tabernáculos, por exemplo, fazia-se ali uma cabana rústica, como parte das comemorações dela. Essa cabana era semelhante às que os plantadores erguiam nos campos, na época da colheita (êx 23.14-17; Lv 23; Dt 16).

Na próxima semana: "Telhados Planos - Parte III"

23.3.10

Série Costumes Bíblicos - Telhados Planos

Ao se construir uma casa, o telhado, que era praticamente a sala de estar, recebia certos cuidados especiais. Ele era armado com pesadas vigas de madeira, sobre as quais se colocavam varetas, sendo tudo recoberto com uma massa de barro, à qual se misturava palha picada. A fumaça dos fogões era escoada pelas janelas. As famílias mais abastadas, ao construir a casa, assentavam ladrilhos no telhado para aumentar-lhe a resistência.

Um telhado de barro exigia muitos cuidados. Vez por outra os moradores tinham que rechear com barro os desgastes causados pelas chuvas. Alguns plantavam grama nele, para tentar protegê-lo da erosão. Regularmente era necessário fazer uma espécie de lixamento, para mantê-lo plano e impermeável. Mas a despeito de todos os cuidados, não conseguiam evitar as goteiras, que se tornaram motivo de símiles cômicas (Pv 19.13).

Nas tardes quentes era muito comum as mulheres trabalharem no telhado - preparando pão, tecendo fazendas, fazendo a secagem do linho ou de frutas como o figo e tâmara, ou então "catando" cereais. Era ali também que se estendiam as roupas lavadas para secar.

Na próxima semana: "Telhados Planos - Parte II"

8.3.10

Série Costumes Bíblicos - A Moradia

Em meio aos ruídos, aromas e cenas domésticas de suas modernas moradias, os judeus do primeiro século de nossa era levavam uma vida tranquila, com muito aconchego familiar, o pão era assado em fornos de barro; os tios tocavam seus instrumentos na área; e à noite, as casas eram iluminadas pela luz mortiça das lamparinas de azeite. A vida familiar era caracterizada por muita atividade e carinho, e regida por tradições sólidas.


As casas eram de formas e tamanhos variados, pois a diferença entre a classe rica e a pobre era bem sensível. Não havia um modelo que se pudesse apontar como sendo o de uma casa típica da Palestina, mas as dos cidadãos de posse mediana tinham algumas características em comum. Na maioria dos casos, a estrutura delas era simples e bem pequena. A maior parte das atividades diárias dos israelitas era ao ar-livre, então a casa para eles era apenas um abrigo, um local para se fazer as refeições e dormir.


No tempo de Cristo, as casas comuns eram constituídas de apenas um cômodo, com pouquíssimo mobiliário, e quase nenhum adorno. Muitas delas mediam cerca de 3,5 metros quadrados; tinham somente duas ou três janelas, e o assoalho era de terra batida. Todas as moradias, até mesmo as mais pobres, tinham uma escada externa que dava acesso ao telhado, que era plano. Grande parte das reuniões de família e atividades sociais era realizada no telhado ou no quintal. Muitas vezes eles até dormiam no telhado, sob o céu estrelado, principalmente nos meses quentes do verão. Quando queriam um pouco mais de privacidade, erguiam ali uma barraca ou um quartinho.


Na próxima semana: "Telhados Planos"